Um mergulho na Vice

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Gabriel Klein durante bate-papo na Pixel Show 2016

Se você vive no mundo moderno, com certeza conhece a Vice. Atualmente é não apenas o canal de comunicação que mais entende os jovens, mas é também o que mais tem crescido no mundo todo.

Ela teve origem no Canadá em 1994 e foi criada justamente para contrapor a mídia que existe no mundo todo. Com linguagem direta e contemporânea, as matérias produzidas pela Vice sempre falaram com os jovens sem cerimônias. Sendo assim, assuntos que são mitos ou tabus acabaram ganhando atenção e começaram a ser desmacarados. Com o passar do tempo, a Vice foi ganhando público e credibilidade e, então, começou a se espalhar pelo mundo de maneira viral. Atualmente, a Vice está presente em quase 30 países. No Brasil, a empresa se estabeleceu a partir de 2009.

A Vice é um canal de comunicação multiplataforma. Isto significa que a Vice produz conteúdo em mídia impressa, virtual (dos mais diversos tipos como site, vídeos e redes sociais) e, mais recentemente, televisiva.

Aliás, foi sobre este último item que Gabriel Klein, fundador da Vice no Brasil, foi falar durante a Sharp Talk na Pixel Show 2016. Gabriel Klein foi apresentar, em primeira mão, a “Viceland”, canal televisivo que, em breve, estará no Brasil.

Pixel Show 2016 - Vice - site Cultura Osasco

Sim, você entendeu bem: televisão. Enquanto muita gente migra para o Netflix, a Vice está num processo de resgatar a TV. Segundo Gabriel, a Vice acredita que a TV ainda tem muito a oferecer para os jovens, mas está sendo mal utilizada.

O que a equipe da Vice começou a perceber é que grande parte da audiência televisiva caiu devido aos comerciais, longos, invasivos e que conversam muito pouco com o público a que deveria se direcionar. Muita gente tem pagado para fugir dos comerciais. E o sucesso do Netflix é um bom exemplo disto. O consumidor paga para usar o Netflix e tem a chance de escolher o que assistir sem interrupções desnecessárias.

O que a Vice tem feito é produzir propaganda em forma de conteúdo e está integrando ao canal televisivo de maneira orgânica.

O pontapé inicial foi dado nos EUA e o próximo passo é entrar no Brasil. Com leis de mídia tão complexas, perguntamos para o Gabriel se valia a pena investir no Brasil. E a resposta é sim.

A Viceland provavelmente entrará no país como nos EUA – em um canal da TV paga.

Os comerciais que irão “habitar” a Viceland no Brasil já estão sendo testados no próprio site da Vice Brasil. Basta entrar para ver o conteúdo em movimento que há por lá.

Uma das coisas mais interessantes é que o diretor Spike Jonze é um dos criadores da Viceland. Jonze é uma das mentes mais criativas e ativas da atualidade quando se trata de produção em movimento. Diretor de filmes consagrados como “Ela” e “Quero ser John Malkovich” e criador até de produções de gosto duvidoso como “Jackass”, Spike Jonze é um nome de respeito no mundo audiovisual, sem dúvida.

O que a Vice mostra a todos nós é que é possível falar com os jovens através da mídia – basta estar inserido na linguagem deles.

E o segredo para conseguir isto?

Segundo Gabriel Klein, um dos segredos é ter uma equipe executiva enxuta. Em grandes mídias uma boa ideia precisa da aprovação de uma série de esferas executivas. Sendo assim, quando a ideia é aprovada – e se for aprovada – já se passou o “timing” para que ela fizesse sucesso e se tornasse viral. Na Vice a coisa rola de maneira imediata. Muitas vezes, uma ideia nem passa por aprovação. Ela é colocada em prática e depois pode até ser modificada, se necessário.

É bem provável que a Vice domine o mundo. Mas você nem vai perceber. Afinal, vai estar acompanhando lado a lado a dominação e até aplaudindo!